Bogotá

Estive por duas semanas em Bogotá. A violência na capital colombiana não aparece para o turista. Numa cidade grande, com quase oito milhões de habitantes, o problema maior para o visitante, aparentemente, é o trânsito, congestionado em determinados horários e vias, exatamente igual a tantas cidades brasileiras.

Guerrilha? Narcotráfico? No dia-a-dia de um bogotano, esses temas aparecem muito mais na televisão, nos jornais, nas livrarias. De resto, é preciso correr para pegar o Transmilenio (sistema de transporte inspirado nas inovações de Curitiba) e chegar ao trabalho ou à universidade. E tudo começa muito cedo: o bogotano é madrugador.

A guerra maior é contra a pobreza. Cerca de 70% da população colombiana vive nas cidades, distribuídas majoritariamente na região andina, que receberam muita gente fugindo da violência guerrilheira e paramilitar.

Em Bogotá, os desvalidos concentraram-se na parte sul da cidade. Os cariocas que acham que a discriminação Zona Sul – Zona Norte é grande na capital do Rio de Janeiro precisam conhecer Bogotá. É comum haver quem viva na região norte da capital colombiana sem nunca ter pisado no sul. “Não há nada que fazer no sul”, tentava justificar um engenheiro bogotano, evidenciando a discriminação entre as diferentes zonas.

No sul, fica Ciudad Bolívar, conjunto de bairros pobres que poderiam ser chamados no Brasil de favelas, embora não pareçam tão precários quanto as favelas cariocas. A grande maioria das casas é de alvenaria. A maior parte das ruas é pavimentada. Serviços públicos como água, luz (sem muitos “gatos” aparentes) e gás encanado chegam até o alto do morro. E a região não é dominada por traficantes.

Alguns bairros mais próximos do centro (como Las Cruces) são, esses sim, perigosos, com índices altos de criminalidade e presença do tráfico de drogas. Pouco recomendáveis para visitas turísticas. Nada muito diferente da maioria das capitais sul-americanas.

Numa cidade cosmopolita, que recebe gente de todo o país em busca de trabalho, estudo ou refúgio contra a violência do interior, é difícil definir o bogotano típico. Ainda se vêem nas ruas do centro os “cachacos”, senhores tradicionais de Bogotá em seus ternos e gravatas, carregando sempre um guarda-chuva e muitas vezes um sobretudo. Mas num país de muitas diversidades (e rivalidades) regionais, Bogotá é o ponto de encontro de um espírito mais universal. Os bogotanos, em geral, são muito simpáticos e acolhedores.

A guerrilha anda enfraquecida com os últimos golpes que sofreu. E o povo colombiano, cansado de violência – com isso, as Farc perderam muito apoio popular. Sua ação há anos resume-se ao interior. Há mais de 20 anos não age na capital.

Resumindo: Bogotá é uma cidade que vale a pena conhecer, sem medo.

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